A humanidade se vê, realmente, numa bifurcação filosófica: caminhar na direção da luz, com as idéias reencarnacionistas, ou vagar, sem rumo, dada a escuridão dos caminhos não-reencarnacionistas.
O homem crente na imortalidade da alma tem, assim, um dilema: aceitar as vivas sucessíveis, em que a demonstração da Justiça e do Amor de Deus é evidente, ou adotar a chamada vida única, em que a alma é criada no momento da concepção, para o corpo que vai nascer.
Às religiões, portanto, cabe o inalienável imperativo de orientar o espírito humano, geralmente confuso, para que não caminhe às cegas, ante o labirinto das próprias lutas e dos conflitos conscienciais, impregnados de angústia e sofrimento, de incredulidade e medo. Faz-se necessária, pois, a análise fria das doutrinas em torno da quais gravitam milhões de inteligências, encarnadas e desencarnadas.
O essencial é que tenha o homem o melhor, no sentido da preservação de sua felicidade, na Terra ou no Espaço.
O confronto das doutrinas reencarnacionistas com as não-reencarnacionistas, para que se apontem excelências e inconveniências, torna-se um imperativo de honesta solidariedade para com aqueles que buscam, aturdidos, um roteiro espiritual.
Faremos, assim, análise e confronto sinceros e absolutamente respeitosos.
O Espiritismo, florescendo sob as bênçãos do Evangelho, sente-se à vontade para, através de seus adeptos, focalizar o assunto, seja na tribuna, nos livros ou em artigos doutrinários.
Falemos, em primeiro lugar, das doutrinas não-reencarnacionistas e dos inconvenientes que, a nosso ver, apresentam. Ei-los:
a) Descontinuidade dos laços espirituais.
b) Separação definitiva, com a morte, dos entes queridos.
c) Separação definitiva, com a morte, dos adversários.
d) Insuficiência, absoluta, de tempo para o desenvolvimento moral e intelectual da humanidade.
e) Condução do homem à descrença na Justiça e no amor de Deus.
Descontinuidade dos laços espirituais – Tem o inconveniente de limitar as afetividades e os impulsos de solidariedade humana aos círculos da família consangüínea, estimulando, assim, o egoísmo, chaga monstruosa que as religiões tentam combater há milênios.
O homem, já por si mesmo natural e congenitamente egoísta, terá apenas, por centro de seu interesse e de seu trabalho o grupo familiar.
Todo o seu esforço, sua luta e empreendimentos girarão, exclusivamente, em favor dos que lhe integram a equipe de parentela, restringindo, assim, os sentimentos de fraternidade autêntica.
Estimula, portanto, o egocentrismo feroz.
Separação definitiva dos entes queridos – É a doutrina do desespero ante a alma querida que parte, pela desencarnação.
É o pavor ante o desconhecido, com o que surge, inevitável, a interrogação aflitiva: onde estarão o filho que partiu, a esposa ou marido, a mãe ou pai: no inferno ou Céu?...
Nos lares espíritas, nota-se, certamente, em ocasiões que tais, a dor-saudade – nunca a dor-revolta! – pela ausência física do ser amado, compensada pela esperança, com a certeza da presença espiritual.
Nem inferno, nem Céu, mas o plano espiritual correspondente aos méritos daquele que regressou ao Mundo da Verdade.
Espiritualidade, imortalidade, comunicabilidade dos mortos-vivos com os que ficaram na Terra.
Separação definitiva dos adversários: - Seria a cessação das oportunidades reconciliatórias, tão almejadas pelos que não aprenderam a odiar.
O adversário, para o espírita, não é um inimigo, mas um irmão colocado, temporariamente, em posição de antagonismo, e com o qual, mais cedo ou mais tarde, tem o dever de reconciliar-se.
O espírita – estranha doutrina! – não quer o adversário a distancia, nem morto: deseja vê-lo no mesmo campo de luta, neste ou noutros mundos, com as mesmas oportunidades de crescimento e reabilitação, a fim de que o reencontro se dê, o mais breve possível, para a sublimidade da reaproximação fraterna, com esquecimento de todas as hostilidades que se perderam no tempo e no espaço.
Para as doutrinas não-reencarnacionistas, em tese, a morte do adversário é um alivio, é o fim.
Para o espírita é simples mudança de plano, hoje, para o reencontro conciliador, amanhã.
No Espaço, ou em futuras reencarnações, deseja o espírita reaproximar-se do adversário, porque assim preceitua a doutrina do Amor universal pregado e exemplificada por Jesus, Senhor e Mestre de nossas vidas.
Insuficiência de tempo para o desenvolvimento moral e intelectual : - Através da varias encarnações é que o espírito evolui, moral e intelectualmente, adquirindo virtudes e conhecimentos que o farão, em glorioso dia, santo e sábio.
Numa só vida – mesmo que seja ela de cem anos – poderia o homem adquirir, apenas instrução de rotina, se não trouxesse, do passado, patrimônios espirituais e culturais que se alojaram nos escaninhos maravilhosos do perispírito – o notável porão da individualidade, onde se armazenam méritos e deméritos, para a eclosão em futuras experiências reencarnatórias.
Numa só existência, por mais longa, não se adquiri todas as virtudes e todos os conhecimentos.
O santo e o sábio – ou o santo-sábio – teriam de ser privilegiados de Deus, escolhidos a dedo.
Em várias existências, o santo e o sábio terão sido os construtores das próprias virtudes e dos próprios conhecimentos, segundo a maravilhosa engrenagem das leis divinas equânimes e infalíveis, que não estabelecem predileções por ninguém.
Enquanto as doutrinas reencarnacionistas nos falam de Deus-Amor, as não-reencarnacionistas conduzem o homem, infelizmente, a descrença na Justiça Divina, por serem a própria negação do Amor de Deus.
As doutrinas reencarnacionistas, ao contrário das não-reencarnacionistas, asseguram:
a) A continuidade dos laços de família, com a conseqüente ampliação da parentela espiritual.
b) A renovação de esperanças, pela certeza da sobrevivência e comunicabilidade da alma.
c) A universalização do cenceito da fraternidade.
d) Golpe de morte no egoísmo.
e) O reencontro com almas queridas, no ambiente da família ou fora dele.
f) O reencontro com adversários e credores, desta e de outras existências.
g) A consolidação de afetos, com a consequente garantia da continuidade de tarefas em comum.
h) Melhor compreensão da Justiça e do Amor de Deus.
Com o Espiritismo, que viceja, exuberante, na condição de doutrina eminentemente reencarnacionista, à luz redentora do Evangelho do Cristo, ficam asseguradios, pela oportunidade dos reencontros, o reajuste de situações, o resgatede débitos, a reabilitação de vítimas.
As excelências do reencarnacionismo nos falam de um Deus que não é , apenas, o Criador do Universo, Causa Primaria de todas as coisas, mas também, o Pai Compassivo e Bom, Justo e Misericordioso.
Do livro O pensamento de Emmanuel ( Martins Peralva ditado pelo espírito Emmanuel).
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